O respeito que a dignidade nos merece, não me parece
discutível e choca-me que muitos o questionem, “atropelem” e “violem”,
possivelmente fruto de genes coloniais que ainda os iludem com sonhos de
excelência.
É um direito natural a ferro e fogo conquistado. Únicos,
autónomos e livres somos… cada um o é… inatamente o é.
Filhos da dualidade, grandeza e respeitabilidade versus
insatisfação e fraqueza… teimosamente entre céu e inferno… aparentemente
insignificantes perante os ideais que nos envolvem.
A balança deixou de ser obrigada a apurar sacrifícios
pagãos, onde o grupo ao indivíduo se elevava ao ponto da alma deste aos deuses
ser oferecida.
Escravos que não eram Homens, civilizações destruídas,
minorias erradicadas…
Perversões do passado ainda ensombram um presente frágil e
tímido ao que aos valores respeita. Duas vidas não são mais importantes do que
uma… um milhão também não. Irrepetíveis somos, com todos os nossos defeitos e
virtudes somos, filhos de um deus maior… a dignidade, mais do que uma faculdade
é uma exigência de vida, nossa e dos outros.
Em família, entre colegas, amigos, conhecidos e
desconhecidos, sem preferências… uma vida não é mais importante do que outra.
Do mesmo modo, todos temos defeitos, virtudes, evoluindo ou regredindo
diariamente e tendo sempre como lema algo muito simples:
“O que eu penso ou digo do outro, ele poderá facilmente
pensar pior de mim, os meus actos desrespeitosos, não alteram o facto do outro
poder tratar-me ainda pior”.
É bem verdade que, instintivamente, dúvidas subsistem e
hesitamos colocar a vida de um ente querido ao mesmo nível da de um estranho…
se chegaram a esta linha, deve ser mais ou menos esse o pensamento comum… mas
não é disso que se trata, não há que confundir dignidade, enquanto humanos, com
laços de amizade, parentesco ou amor.
Eu considero-a, à dignidade, a última fonteira, o último
marco que nos falta ainda assimilar enquanto Humanos.
Bom Domingo




